domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ricardo Teixeira arma terreno para saída da CBF

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deverá desembarcar neste domingo no Brasil para, na Assembleia Geral Extraordinária da entidade, quarta-feira, preparar terreno para uma possível saída.

Na segunda, Teixeira deverá enviar aos presidentes de federação a pauta detalhada da reunião. Na assembleia, o cartola mudará o estatuto da entidade para assegurar a posse do vice mais velho, José Maria Marin, caso renuncie ao cargo. O ato lhe permitiria encaminhar seu desligamento da entidade.

Teixeira tinha tudo certo para renunciar no último dia 16 ou 17, quando percebeu movimento de federações para impedir a posse de Marin. Os rebeldes se baseavam em artigo do estatuto da CBF que permite à assembleia reinterpretar o texto em casos de divergência.

A polêmica já estava decidida: a extensão de mandato conferida a Teixeira até depois do Mundial de 2014 valeria só para ele, não para seus vice-presidentes.

Os rebeldes, inicialmente sete, pretendiam ter maioria até quarta-feira para forçarem a interpretação que obrigaria a realização de novas eleições. Rubens Lopes, da Ferj, seria o candidato e, com Teixeira fora da jogada, conseguiria se reeleger.

Teixeira, então, puxou o freio de mão. Seguiu no cargo por mais algumas semanas para estancar a manobra e entregar o cargo a Marin.

A posse do seu vice mais idoso é, para Teixeira, menos um ato de respeito ao estatuto, e mais o fruto de um acordo com o presidente de federação que lhe é mais próximo hoje, o paulista Marco Polo Del Nero.

Não à toa, Del Nero foi ao Rio conversar com ele há cerca de uma semana. Acertaram os últimos detalhes da passagem do poder e dos compromissos que o próximo presidente teria de honrar.

Dirigentes de clubes disseram que Teixeira planejava entregar o cargo a Del Nero, mas não o fará porque o estatuto não permite. Francisco Müssnich, que escreve a proposta de alteração estatutária, não deverá incluir a mudança.

Sanchez pode perder espaço

A correligionários, José Maria Marin tem dito que honrará os compromissos com Teixeira. Mas não o fará com todas as pessoas que estão na CBF. Um dos seus alvos poderá ser o corintiano Andrés Sanchez, atual diretor de seleções.

Segundo a coluna De Prima apurou, o ex-presidente do Corinthians não seria demitido logo, mas terá seu espaço cortado paulatinamente, até que se sinta tão desconfortável que queira sair.

Sua intenção de levar o amigo André Luis de Oliveira para dirigir as categorias inferiores da Seleção pode nem se concretizar. Oliveira trabalhou com Sanchez na base do Corinthians e foi diretor administrativo na sua gestão.

Marin só desistirá da ideia caso Del Nero peça que não o faça. Até recentemente, o presidente da FPF e Sanchez tinham boas relações.

A posse de Marin também deve significar a reaproximação de São Paulo e CBF. O vice foi jogador e é conselheiro do Tricolor, além de ter boas relações com presidente tricolor, Juvenal Juvêncio.

Na sexta-feira, inclusive, a CBF liberou o meia são-paulino Lucas para se apresentar à Seleção após o clássico deste domingo contra o Palmeiras. Em nota, a entidade ressaltou que pedido foi feito por Del Nero.

QUESTÃO ESTATUTÁRIA

O artigo
Em assembleia no dia 18 de abril de 2006, foi aprovada mudança estatutária que permite prorrogar até 2015 “o mandato do presidente, dos cinco vice-presidentes e dos membros do Conselho Fiscal” da CBF e das federações filiadas.

A brecha
No entanto, o artigo 22 do estatuto permite à assembleia interpretar o texto “em última instância e preencher no respectivo texto as omissões ou lacunas que por outra forma não forem sanadas”. Os rebeldes precisariam de 14 das 27 federações para tal.

A proposta
Na reunião de quarta-feira, Teixeira tentaria, então, alterar o estatuto para assegurar que o texto atual – ou seja, a transferência de poder para José Maria Marin. A proposta de mudança, que deverá ser revelada amanhã aos presidentes de federação, precisa de apoio de dois terços dos presentes para ser aprovada.



Nenhum comentário:

Postar um comentário