quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Comandante do Gepe crê que guerra das torcidas tem relação com facções criminosas



Comandante do Grupamento Especial de Policiamento de Estádios (Gepe), o tenente-coronel João Fiorentini falou sobre a violência entre torcidas no Rio de Janeiro. Há três anos e meio na função, ele diz que o problema é complexo e que a violência no estado influencia os incidentes ocorridos entre as organizadas dos clubes cariocas.

- No Brasil se mata por qualquer coisa. Em 2014, foram mais de 53 mil assassinatos. O futebol é reflexo. As torcidas cresceram. Coincide com o surgimento e a proibição dos bailes funk. Jovens de comunidades migraram para a torcida. Todos os problemas de crime do Rio, como roubo, sequestro, tráfico de drogas, vieram para dentro das torcidas. Tenho que separar facções de torcidas nos estádios porque há gente de várias comunidades, cada uma controlada por uma facção criminosa, outro grupo é de favela de milícia ou de UPP. E trouxeram as armas da favela. Outro fator: a ilegalidade dos ganhos da torcida. Uma torcida não pode ganhar R$ 20 mil num jogo vendendo ingresso, material e esse dinheiro ficar na mão de uma pessoa. Vai gerar disputa. Já prendi, num carro, um PM dentro, um membro de milícia e três de torcida organizada. Havia cinco armas. Estas armas eram para matar torcedores – disse o tenente-coronel ao jornal O Globo.

Para João Fiorentini, um dos motivos para a violência entre as torcidas se perpetuar por anos é a impunidade no país para aqueles que brigam nos estádios.

- Se me sinto sozinho? Muitas vezes. Prendi mais de 1.300 em três anos e três meses. Se falar que dez foram condenados, não é mentira. Os outros pagam cesta básica ou têm que se apresentar em delegacia, mas não há controle. No jogo seguinte, voltam ao estádio. É culpa do juiz que não condena ou da lei? Algumas leis não funcionam. Se eu conhecer visualmente, posso controlar torcedores punidos indo a estádios. Se não, é cobrar que compareçam à delegacia, o que muitas vezes não acontece – contou Fiorentini.

O tenente-coronel do Gepe também reclamou da falta de apoio dos clubes para resolver o problema. Segundo ele, apesar de não ter como comprovar, sabe que alguns times do Rio ainda ajudam e facilitam as suas torcidas organizadas a conseguirem ingressos para as partidas.

- Ninguém diz que dá. Mas não é verdade. A Força Jovem, do vasco após Joinville, foi punida. Nunca deixou de receber apoio do vasco. Não tenho certeza quanto a nenhum clube. Alguma contribuição há. Facilitam compra, meia entrada. O Flamengo foi à final da Copa do Brasil. O torcedor comum sofria para comprar. Os caras da organizada pagam,  meia. Em tese, vendem para a própria torcida. Eles sempre têm acesso... E preciso que o clube se envolva. Falta ajuda. Em alguns casos, será que não tem dirigente(vasco) ganhando? O clube não se importa com segurança. Quer mais que esteja bagunçado, assim, pode implantar práticas que não poderia se estivesse tudo organizado – afirmou ao jornal O Globo.

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