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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Vice cita oferta para ter surfe no Flamengo e planeja clube como potência olímpica


Vice-presidente de Esportes Olímpicos do Flamengo, Alexandre Póvoa esteve na sede do clube na Gávea, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, para apresentar oficialmente o mais novo reforço do basquete rubro-negro, o americano Hakeem Rollins, que joga como pivô e passou as últimas três temporadas na Argentina. Após a coletiva, falou sobre outras situações relevantes envolvendo tanto o basquete quanto outros esportes. O dirigente revelou, por exemplo, que recebeu ofertas para que a equipe da Gávea tenha novas modalidades, como surfe e vôlei de praia. Com a estratégia de pensar primeiramente em desenvolver esportes já praticados por lá, como judô, ginástica artística, vôlei e natação, ele afirma que sua missão é transformar o Rubro-Negro em "maior potência olímpica do país".

- O Flamengo cresceu muito nos últimos anos no esporte olímpico, mas existe um dogma. Eu, que fui criado aqui dentro, vejo o clube como um só, uma marca com possibilidade de expansão enorme. Mas tem uma coisa que foi estabelecida em 2013: os vasos não são comunicantes. O social tem que se virar, o olímpico tem que se virar, e o futebol tem que se virar. E mesmo que sobre dinheiro de um lado, os vasos comunicantes não existem. Em um primeiro momento, sanamos dívidas. Depois, tornamos o esporte olímpico autossustentável com um com grande investimento, o basquete. Temos que dar o próximo passo, mas na hora de dar encontramos o país em crise. A intenção é fazer do Flamengo a maior potência olímpica do país. E a ideia não é abrir novas frentes agora: toda hora tem proposta aqui de abrir algum esporte. "Vamos abrir um esporte de luta". O surfe, que agora é olímpico, veio proposta de abrir outro dia. O vôlei de praia também, porque temos uma quadra de areia. Mas não vou abrir outras frentes porque eu quero esporte de alto nível. O próximo passo é fazer os outros esportes (ginástica artística, judô, natação etc) seguirem o basquete, mas o país precisa melhorar - explicou.

Alexandre Póvoa e Hakeem Rollins (Foto: Gabriel Fricke)Alexandre Póvoa, no centro, Marcelo Vido (diretor executivo de basquete), e o reforço Hakeem Rollins (Foto: Gabriel Fricke)

Alexandre Póvoa lembrou que, na parte de estrutura, alguns esportes já contam com ótimas condições. Mas para crescerem como o basquete precisam de patrocinadores.

- Ano passado jogamos a Superliga B, foi a primeira tentativa de voltar com o vôlei de alto nível. Tem esportes que vivem só de Lei de Incentivo. E o vôlei é um esporte mais caro que o basquete. Um time de vôlei, por exemplo, o Cruzeiro, que ganhou tudo nos últimos anos, tem o dobro do orçamento do basquete do Flamengo. O vôlei envolve mais dinheiro. Para o Flamengo entrar fazendo papel de Flamengo, precisaria de uma patrocínio grande. E além de estar muito difícil de conseguir patrocínio, há opiniões diferentes na diretoria sobre isso. Não vejo problema você subsidiar um esporte um ano para depois ele andar. Mas há opiniões diferentes, e elas geralmente são muito duras contra isso. Eu, por exemplo, só vejo sentido em continuar esse trabalho no Flamengo se for para ter um time de natação de bom nível, de judô de bom nível, de ginástica... Ginástica nós já temos no feminino, que é a base da seleção brasileira. A gente reformou o clube inteiro. Temos dojô de alto nível, ginásio de bom nível, piscina mista de alto nível - falou o vice.

Projeto Arena Multiuso Gávea Flamengo (Foto: Divulgação) 
Projeto da Arena Multiuso do Flamengo para 3,5 mil pessoas (Foto: Divulgação)
 
Especificamente sobre o basquete, Alexandre Póvoa comentou dois assuntos importantes. Primeiro, falou com relação à Arena Multiuso da Gávea. Depois de conseguir a licença final da Prefeitura do Rio de Janeiro em dezembro, a diretoria passou a trabalhar com um prazo mais concreto para ter pronta a sua casa própria. O vice acredita que isso vá acontecer até o fim de 2018. Para isso, ele prevê que as obras se iniciem até o meio do ano. No momento, a fase é de ajuste de questões comerciais com o McDonald's, empresa que vai investir na instalação esportiva um montante de R$ 30 milhões. Depois, tudo será passado para aprovação no Conselho Deliberativo.

- A Arena foi aprovada pela Prefeitura, então eu poderia começar a construir. Só tem uma exigência aí que, há 20 anos, tiraram um posto de gasolina, mas ficaram os tanques na parte debaixo. Isso é simples. Estamos em fase final de negociação, não em sentido de quererem ou não quererem. Eles querem. Só estamos fechando algumas coisas: eles querem 30 anos, queremos 20. É isso aí. São coisas normais... O valor, por exemplo, já mudou. Há quatro anos, eram R$ 20 milhões, agora serão R$ 30 milhões. Vamos levar isso ao Conselho quando acabar esse processo, provavelmente ao longo do primeiro trimestre. Sendo realista, esperamos começar até o meio do ano a obra. O  mais difícil foi cumprido: esses quatro anos peregrinando por órgãos públicos para uma obra 100% com dinheiro privado - comentou.

Flamengo campeão NBB8 comemoração (Foto: André Durão)Dirigente quer que outros esportes sigam os passos do basquete no Flamengo (Foto: André Durão)

Em segundo lugar, o vice de Esportes Olímpicos comentou sobre a reposição de um patrocinador master para o basquete. A empresa Sky deixou o Rubro-Negro em junho do ano passado. Não há previsão de fechar negócio, mas há conversas até para dividir patrocínios com o futebol.

- Perdemos um patrocinador importante e não é segredo que o momento é difícil em termos de patrocínio no país. Tivemos propostas pequenas que não achamos que tinha sentido em ocupar a camisa por tanto tempo. Preferimos trabalhar com a realidade de não ter patrocinador master porque isso só representa 1/3 do nosso orçamento. Nossos outros 2/3 são de Lei de Incentivo, de ICMS, do governo do Estado. Já temos a lei aprovada, e o dinheiro pronto para colocar certinho, só que o governo, com todos os problemas que está passando, posterga. Estamos tranquilos porque com esses 2/3 é o time que está aí. Infelizmente, esperávamos estar na Liga das Américas. Aí sim esse dinheiro faria falta. O Flamengo tem conseguido patrocínios interessantes no futebol, como a Carabao (marca de bebidas energéticas tailandesa que vai injetar um montante de quase R$ 190 milhões em seis anos). Estamos conversando com algumas empresas para patrocínios junto com o futebol, futebol e basquete. Não adiantaria ganhar um pouco mais para me aliviar um pouco e não ter custo-benefício tão bom - concluiu.

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