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sábado, 3 de junho de 2017

Histórias Incríveis: Fla e Bota juntos? Clubes já formaram time que fascinou até Púskas

Estádio da Ilha, briga entre torcidas, Willian Arão, troca de farpas entre dirigentes, provocações em redes sociais e até em aeroporto... É com o clima quente dentro e fora dos gramados que Flamengo e Botafogo se enfrentam neste domingo, às 11h (de Brasília), no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda (RJ), pela terceira vez na temporada. Nos últimos anos, a rivalidade extrapolou o limite das quatro linhas. A relação entre os clubes vive um dos piores momentos nos mais de 100 anos de história, mas nem sempre foi assim... 

Rubro-negros e alvinegros hoje conseguem imaginar seus clubes de mãos dadas? Já aconteceu por exemplo há 60 anos. Na época, Flamengo e Botafogo se uniram, bateram de frente com a Fifa e fizeram um jogo para a história. Em 7 de fevereiro de 1957, um combinado goleou o Budapest Honvéd, da Hungria, por 6 a 2 no Maracanã. Uma verdadeira seleção brasileira, com nomes como Bauer, Nilton Santos, Dida, Didi, Garrincha e Evaristo, "vingou" a Copa do Mundo de 1954 e pôs fim à era mais gloriosa do futebol húngaro. É preciso, no entanto, entender o contexto. 



O extinto





QUEM É O HONVÉD? 
O Budapest Honvéd é o atual campeão húngaro, mas viveu seus dias de maiores glórias na década de 50. Base da seleção que conquistou em 1952 o ouro olímpico em Helsinque e encantou o mundo na Copa de 1954, o time de Púskas, Kocsis & Cia. foi considerado um dos maiores da Europa neste período, ao lado do Real Madrid. 

O QUE TEM A VER COM A INVASÃO SOVIÉTICA? 
Convidado pelo Flamengo para amistosos no Brasil, o Honvéd desembarcou no Rio de Janeiro cercado por incertezas. Em outubro de 1956, uma revolta popular tentou derrubar o regime comunista na Hungria. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) não aprovou, ocupou Budapeste em novembro e prendeu (e enforcou) Imre Nagy, líder liberal da revolta. Os soviéticos exigiram o retorno imediato do time à Hungria. Um dos símbolos de sucesso do regime comunista, a "Máquina Magiar” excursionava pela Europa. Seus principais jogadores, em tese, eram do exército soviético. Kocsis, Púskas e Bozsik eram majores, embora apenas jogassem futebol. Na Suíça, jogadores e dirigentes se recusaram a voltar. No fim, acabou sendo um grande pretexto para os craques húngaros enfim deixarem o país e aceitarem as propostas milionárias que recebiam constantemente do futebol espanhol. 

FLAMENGO BANIDO E BRASIL FORA DA COPA? 
Com contrato assinado com o Flamengo, o time húngaro manteve seu compromisso de amistosos no Brasil. Na Hungria, os soviéticos reagiram mal à atitude e, segundo relatos, fizeram ameaças até aos familiares dos atletas. Pressionaram também a Federação Húngara e a Fifa. A entidade avisou que, se as partidas acontecessem, o Rubro-Negro seria banido do futebol, e a seleção brasileira estaria fora da Copa de 1958. O Flamengo, no entanto, não embarcou nas ameaças e levou o contrato adiante. Foi além, e convidou outros clubes. Apenas o Botafogo aceitou. Após pressão popular, especialmente dos brasileiros que estavam loucos para ver de perto as lendas húngaras, a Fifa reconsiderou, e o Honvéd realizou cinco jogos no Brasil, contra Rubro-Negro e Alvinegro, sem maiores desdobramentos. O último deles, contra o combinado entre os dois.

COMO FOI A UNIÃO FLA-BOTA? 
Os clubes eram extremamente unidos nessa época? Não exatamente, mas sabiam dialogar. Sete anos antes, por exemplo, Flamengo e Botafogo se envolveram em uma situação semelhante ao caso William Arão, estopim para a atual crise entre os clubes. Em 1950, o Rubro-Negro tirou Joel de General Severiano. O então presidente alvinegro, Carlito Rocha, ameaçou romper relações com o rival. Para apaziguar, o Rubro-Negro aceitou pagar Cr$100 mil.  Curiosamente, Joel iniciou como titular da ponta-direita da Seleção na campanha do título da Copa do Mundo de 1958, mas perdeu a vaga para Garrincha no terceiro jogo.


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