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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Fischer volta, e Flamengo bate Mogi no reencontro de Marcelinho e Tyrone



O aquecimento antes do duelo já mostrava que Tyrone Curnell não teria vida fácil diante da torcida do Flamengo. Xingamentos, pressão. O americano do Mogi das Cruzes, pivô de confusão com Marcelinho há menos de um mês, foi marcado de perto pelos rubro-negros. E pareceu sentir o jogo psicológico na sua volta após suspensão da Liga Nacional de Basquete. O gringo não foi nulo, mas só acordou no último período e acabou eliminado com cinco faltas. Vestindo vermelho e preto, o outro elo dessa história também retornou às quadras justamente para este duelo. Marcelinho se recuperou da lesão no tornozelo sofrida naquele jogo em São Paulo, em lance com Curnell, e se não foi decisivo, deu ânimo novo ao Flamengo. Jogando em casa, no Ginásio do Tijuca, o clube bateu os paulistas por 96 a 87 com destaque para o armador Ricardo Fischer, que voltou após longo período inativo por lesão.

Flamengo x Mogi NBB Tijuca Tênis Clube (Foto: João Pires/LNB)Marcelinho voltou ao Flamengo para duelo diante do Mogi (Foto: João Pires/LNB)

- Aqui é o nosso caldeirão. Estávamos com saudades de jogar aqui no Tijuca. Nossa torcida é especial, fez a parte dela e de forma limpa. Acredito que o time deles sentiu isso. Sentiu a pressão da nossa torcida. E o que aconteceu com o Tyrone é normal quando se joga fora de casa. A torcida pega no pé mesmo. Pega no meu, no do Marquinhos, não seria diferente. O importante foi vencer e seguir evoluindo nessa reta final de classificação - disse Marcelinho.

Com o triunfo, o Flamengo chega  14 vitórias em 19 jogos, mesma campanha do líder Brasília, que está à frente pelos critérios de desempate. O Mogi segue com 13 vitórias em 19 jogos e caiu para a quinta colocação. Olivinha, com 16 pontos, 10 rebotes e três assistências. Foi o 12º duplo-duplo dele na atual edição do NBB. Marquinhos, com 20 pontos e seis assistências, foi o cestinha do Flamengo. Marcelinho anotou seis pontos, e Fischer fez nove em seu retorno. Ronald Ramón fez outros nove, e Mineiro, em grande jogo, anotou 15. No Mogi, Shamell foi o cestinha com 29 pontos. Larry Taylor fez 13; Tyrone 11 e Filipin 12 pontos.

- Voltei bem. Fiquei feliz em poder contribuir, em ver que o time se portou bem, principalmente nos dois últimos quartos. Agora espero ter uma sequência de jogos e ajudar bastante a equipe nessa continuidade do NBB. Fiquei muito tempo fora e quero aproveitar para ajudar  máximo, mesmo que sejam por cinco minutos - disse Fischer, que acertou importantes bolas de três e deu assistências decisivas na parte crítica do jogo. 

A expectativa em cima do encontro era grande. Não faltavam ingredientes para Flamengo e Mogi fazerem um grande jogo. Estavam em quadra a briga pelas primeiras posições do Novo Basquete Brasil, a rivalidade entre dois dos melhores times do torneio, com Shamell, Larry Taylor, Ronald Ramón, Marquinhos, entre outros. E claro, o reencontro entre Marcelinho e Tyrone. No dia 18 de janeiro, em São Paulo, o Flamengo venceu o Mogi por 83 a 57 com direito a confusão. O americano fez falta dura no capitão do Flamengo, que não se conformou. Depois do jogo, o acusou de ser "sujo". O imbróglio foi parar no Tribunal de Justiça Desportiva da Liga Nacional de Basquete e Tyrone pegou dois jogos de suspensão pela jogada que lesionou os dois tornozelos do ala do Rubro-Negro.

A animosidade, contudo, ficou nas arquibancadas. Apesar de não se cumprimentarem antes do começo do duelo, no tradicional encontro entre os atletas no centro de quadra, Marcelinho e Tyrone não protagonizaram nenhuma cena próxima do que aconteceu em Mogi das Cruzes. O foco nos dois, inclusive, deixou em segundo plano a volta do armador Ricardo Fischer ao time do Flamengo. Contratado em 2016 como principal reforço Rubro-Negro, ele fez seu primeiro jogo pelo time em 2017 após seguidas lesões musculares e por último um edema na musculatura da coxa direita.

Na quinta-feira, 16, às 20h, novamente no Ginásio do Tijuca, o Flamengo volta à quadra diante do Campo Mourão, pela 20ª rodada do Novo Basquete Brasil. Já o Mogi das Cruzes segue no estado do Rio de Janeiro e no mesmo dia vai até Macaé pegar a equipe da casa, às 19h30, no Ginásio Tênis Clube Macaense. 

Tyrone Flamengo x Mogi NBB Tijuca Tênis Clube (Foto: João Pires/LNB) 
Tyrone não teve vida fácil diante da torcida do Flamengo, que o xingou muito (Foto: João Pires/LNB)

Jogo equilibrado e limpo

Como era esperado, Flamengo e Mogi começaram o duelo de forma muito equilibrada. O Fla meteu bola de três com Olivinha e Ramón, e recebeu a resposta com Jimmy e Larry Taylor. Marcado de perto pela torcida, o pivô Tyrone Curnell não conseguiu para a infiltração de Marquinhos e o Rubro-Negro colocou 12 a 7 com quatro minutos jogados. Na metade do período inicial, porém, o placar marcava 12 a 12. Nos quatro minutos finais deste quarto, Marcelinho voltou à quadra após quatro partidas fora, e  Fischer jogou pela primeira vez pelo Flamengo em 2017. Ao arriscar duas bolas de três com Marquinhos e Fischer, o Fla viu a vantagem ir embora em bela cesta de Vitinho. No último lance, Fabrício ainda deu lindo toco em Hakeem Rollins e os paulistas fecharam à frente por 19 a 18.

Torcida do Flamengo xinga Tyrone na partida entre Fla e Mogi (Foto: Thierry Gozzer) 
Torcida do Flamengo xinga Tyrone na partida entre Fla e Mogi (Foto: Thierry Gozzer)

Cestinha histórico do NBB, Shamell conduzia ao lado de Larry Taylor o Mogi, mas o Flamengo mostrava certo entrosamento com o quinteto que contava com Marcelinho e Fischer em quadra. Foi assim em ótima assistência de costas do armador, que acabou não caindo em bola de três do ala Rubro-Negro. Na metade do período, o próprio Marcelinho cometeu falta em Tyrone e a torcida, ironicamente, o parabenizou. No placar, 25 a 24 para o time da casa. Apostando em bolas de três pontos, as equipes falhavam e ninguém conseguia tomar a dianteira de vez. O Mogi empatou em 28 a 28 com Larry Taylor. Os três minutos finais do período repetiram o panorama e faltando um minuto o marcador era de 36 a 36 com lance livre de JP Batista. Iguais nos acertos e erros, os times foram para o intervalo com o jogo em 39 a 39.

Flamengo x Mogi NBB Tijuca Tênis Clube (Foto: João Pires/LNB)O Flamengo voltou bem melhor para o terceiro quarto. E logo colocou 47 a 40 com Olivinha e JP Batista. Do outro lado, Mogi errava, principalmente com Tyrone, até então com apenas três pontos e dois rebotes. Em dois lances livres de JP Batista, o Rubro-Negro manteve à frente por sete pontos, com 55 a 48 na metade do quarto. Com o time da casa vencendo por 64 a 54, Filipin meteu bola de três e ainda sofreu falta de Marquinhos. Em jogada de quatro pontos, trouxe para 64 a 58 a diferença. Só que se Curnell não funcionava, Shamell, Fabrício e Vitinho davam conta. E os paulistas ainda conseguiram trazer a diferença para apenas um ponto ao fim do período: 69 a 68.

Chamando a responsabilidade, Shamell chegou aos 21 pontos na metade do último quarto. Era o suficiente para manter o Mogi no jogo, perdendo por 79 a 77. No Flamengo, Olivinha chegava ao 12º duplo-duplo em 19 jogos pela atual temporada do NBB. Fischer, em bola de três importante, incendiou a torcida abrindo 82 a 77. Marcedo de perto pela torcida, Tyrone ainda chegou aos 11 pontos, mas fez falta de ataque decisiva em Fischer. No ataque seguinte, faltando 2min40s, o Flamengo colocou 87 a 79 em bandeja de Olivinha. E Fischer, em bola de três pontos, abriu 90 a 80 nos dois minutos finais. Mineiro, em linda jogada, fintou e cravou para o Flamengo, praticamente decretando a vitória Rubro-Negra, que mais tarde veio por 96 a 87.

O Flamengo teve o retorno de Fischer após lesão (Foto: João Pires/LNB)

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