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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Joia 2017: precoce Lincoln é o sonho de dupla de ataque caseira no Flamengo



Lincoln Correa, capixaba do Sub-17 do Flamengo (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)Da escolinha do Jerê, no bairro Feu Rosa, na Serra, região metropolitana de Vitória, até a Copa São Paulo de juniores Lincoln se acostumou a furar filas. Com apenas 13 anos, era convocado para a seleção brasileira sub-15. No Flamengo desde janeiro de 2012, hoje, ele é o camisa 9 do time na Copinha em São Paulo - em dois jogos, ainda não conseguiu marcar. Mas já se firmou como um dos grandes expoentes da famosa geração 2000. Ao lado do parceiro Vinicius, Lincoln, o L9, apelido que ganhou na internet e adotou no Twitter pessoal, é motivo de muita atenção no Fla. No fim do ano passado, ele assinou primeiro contrato profissional.

Lincoln é capixaba e começou a jogar bola com apenas quatro anos em escolinhas do bairro no Espírito Santo. Uma excursão para jogar amistosos no Rio antecipou os primeiros Fla-Flus da vida do garoto. Ele se destacou ao enfrentar o Fluminense e chamou a atenção dos olheiros do Rubro-Negro e do Santos. Mas o coração bateu mais forte.


- Minha família toda é flamenguista - diz o garoto, que tem cara de menino, e é fã do português Cristiano Ronaldo e do atacante brasileiro Neymar.


Com o pai Josimar - que acompanha o filho na Copinha - e toda a família - a mãe Luciene e os irmãos Nicolas e Ryan -, ele veio para o Rio de Janeiro jogar no Flamengo. Hoje, mora em Vargem Pequena, próximo ao Ninho do Urubu. O contrato de três anos - um "bom contrato", como lembra o empresário Pedro Pereira, que trabalha com Thalles no Vasco, entre outros atletas - é daqueles com multa alta, cerca de R$ 100 milhões, e premiação com metas. Há cinco anos também tem contrato próprio de material esportivo. O cuidado do Fla é tanto que havia preocupação dele não dar entrevista até o registro do novo vínculo.

- Ele é bem precoce na carreira. Fiquei com medo quando ele tinha 13 anos e foi jogar torneio sub-15. Agora, que tem 16 e enfrenta jogador de 20 anos. Mas ele me fala: "Não tem isso não. Eles têm mais força, mas é futebol igual". Falo para ele: "Se você está dizendo..." - lembra o pai, que deixou trabalho de tampador em fábrica na Serra para ficar ao lado do filho.

Indicado por André Silva, ex-zagueiro do Botafogo, que foi campeão da Conmebol em 1993, ao empresário Pedro Pereira, Lincoln arrebentou numa final contra o Corinthians na Copa Brasil-Japão, realizada no CFZ, no Rio. 

Ao lado de Vinicius e da geração promissora de 2000, Lincoln foi responsável pelo massacre na final do estadual 2016 juvenil este ano contra o vasco. No placar agregado, 10 a 1 para o Rubro-Negro - dois de Lincoln, que fez 21 no primeiro ano de juvenil. No campeonato estadual infantil, também foi campeão e artilheiro, marcando 28 gols. O pai tem dupla satisfação ao comentar essas goleadas em cima do Vasco.

- Gozei demais meus amigos vascaínos. O melhor jogo é contra o Vasco, né. Ele gosta, a motivação é maior. No início ele não marcava contra o Vasco, eu falava com ele disso: "você faz gol em todo mundo". E ele dizia: "calma que vai sair" - conta seu Josimar. 

A dupla com Vinicius já é famosa na Gávea. Tanto dentro quanto fora de campo, eles são inseparáveis. 

- Eles ficam direto juntos. Até na virada do ano ele passou na casa do Vinicius lá em São Gonçalo - diz o pai de Lincoln, que sonha com a dupla de ataque no profissional. - É um sonho deles. Quem sabe Deus não reserva isso para os garotos.

lincoln e vinicius flamengo sub-17 (Foto: gustavo rotstein) 
Ao lado de Vinicius (direita), Lincoln comemora a goleada sobre o vasco: 10 a 1 contra o rival (Foto: Gustavo Rotstein)

O destaque nos últimos torneios - apesar da idade - é tanto que ainda no fim do ano passado ele foi para a Copa RS e voltou a aparecer bem. O técnico Gilmar Popoca não teve dúvida: é titular do seu time. Vinicius, que brilhou na estreia com dois gols e fez a jogada do gol da vitória sobre o São Bento, ainda está na reserva. 

- Ele é um jogador de uma qualidade técnica, de uma definição dentro da área impressionante. Dei oportunidade para ele na Copa RS, ele chegou e fez diferença. Manteve nível muito alto de atuações mesmo sendo um atleta que ainda ia completar 16 anos. A gente sabe muito o potencial, mas tem que ter paciência, o garoto tem apenas 16 anos. Na função do atacante centralizado ele é um jogador diferente mesmo. Cada vez enfrentar mais vai adversários mais duros. Então a gente tem que trabalhar principalmente a cabeça dele para que não aconteça alguma coisa errada no percurso - destacou Popoca, na véspera da estreia na Copinha.

Zé elogia, mas lembra: "Devagar que o santo é de barro"
Técnico de todas as categorias de base do Flamengo, Zé Ricardo foi treinador de Lincoln na chegada ao Rubro-Negro. Conhece bem o garoto e acompanha a trajetória da dupla que faz com Vinicius desde os primeiros passos com a camisa do Flamengo. Se no time da Copa RS e também da Copinha -, Lincoln é titular e Vinicius reserva, na seleção sub-17 acontece o contrário. Unha e carne na base do Fla, eles sonham um dia formar dupla de ataque no profissional.

O pai Josimar se encheu de orgulho dos gols do filho contra o Vasco (Foto: Arquivo pessoal) 
O pai Josimar se encheu de orgulho dos gols do filho contra o vasco (Foto: Arquivo pessoal)

- É um sonho é dar muitas alegrias à torcida rubro-negra - disse ainda na Gávea, após a goleada no vasco, em dia que ele e Vinicius marcaram dois gols cada.

Em dois jogos na Copinha - com duas vitórias do Rubro-Negro -, Lincoln não conseguiu deixar o dele. Os conselhos de Gilmar Popoca eram de quem conhece bem como a banda toca. O jogador ainda está em fase de amadurecimento do futebol, mas é tratado com carinho especial no Ninho do Urubu. Cuidado igual tem Zé Ricardo, que o conhece há bastante tempo.

- É um jogador que desperta interesse grande para a gente. É muito talentoso, mas é muito jovem também. Sabe jogar dentro da área, sair para os lados. Bom poder de finalização com as duas pernas, bom nível de cabeceio, sabe se posicionar. Mas ainda é muito novo. Foi meu atleta em 2012, em 2013 a gente já o utilizava no infantil. Fomos campeões da Copa Brasil-Japão, no CFZ. Era o primeiro campeonato nacional dele. Tinha 13 anos num campeonato sub-15 e parecia que era o quintal de casa dele. Foi muito, mas muito bem mesmo e foi um dos artilheiros. Mas devagar, devagar, que o santo é de barro. A gente já viu muitas histórias não acontecendo. Ele faz trio de ataque infernal com o Vinicius e com o Bill, que não está na Copinha, que veio do Nova Iguaçu - comentou Zé Ricardo. 


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