O Maracanã começa a ganhar forma para a Copa das Confederações. Nesta
segunda-feira, o "Bom Dia Brasil" mostrou imagens aéreas da instalação
da lona da cobertura do estádio e a colocação das cadeiras no anel
superior do "Maior do Mundo". A previsão, segundo a Empresa de Obras
Públicas (Emop), é que o estádio seja entregue à Fifa apenas no dia 24
de maio.
A instalação da cobertura, prevista anteriormente para novembro do ano
passado, está sendo feita com o auxílio de alpinistas. A lona terá 68,4
metros de comprimento e vai cobrir cerca de 75 mil dos quase 80 mil
lugares do palco das finais da Copa das Confederações e da Copa do
Mundo. A cobertura deve ser concluída em março.
- O projeto é alemão e as peças foram feitas em vários outros países.
Existem métodos específicos para montagem da estrutura e esse será o
grande desafio para os engenheiros brasileiros. Vai ser uma verdadeira
aula de engenharia - afirmou Ícaro Moreno Júnior, presidente da Empresa
de Obras Públicas do Rio de Janeiro (Emop), responsável pelas obras no
estádio, à Agência Brasil.
No início de fevereiro, o Consórcio Maracanã Rio 2014 afirmou que 5.500
operários trabalham atualmente na reforma e que o cronograma está
dentro do previsto pela Fifa. A entrega do estádio está marcada mesmo
para maio.
A reinauguração será no dia 2 de junho com o amistoso entre Brasil e
Inglaterra. Antes, deverá acontecer um jogo-teste no estádio em 24 ou 28
de abril, organizado pelo governo do Rio de Janeiro, apenas com os
operários e seus familiares como público, sem venda de ingressos. Desde o
fim de novembro, o consórcio diz que a arena está com 80% da obra
concluída.
A instalação das cadeiras também era uma preocupação do consórcio
responsável pela construção do estádio. O motivo era a demora para a
colocação dos 80 mil assentos no Maracanã. No Castelão, em Fortaleza,
por exemplo, foram necessários 45 dias para que todas as cadeiras
estivessem instaladas.
Nesta segunda-feira, os funcionários do estádio fizeram uma
paralisação, pedindo melhorias no salário, na cesta básica e nas horas
extras. Apesar de na última sexta-feira, o presidente do Sindicato dos
Trabalhadores da Construção Pesada Intermunicipal do Rio de Janeiro
(Sintraicp), Nilson Duarte, afirmar que seria um "tiro no pé" entrar em
greve, os funcionários decidiram por conta própria para o andamento dos
trabalhos por 24 horas.
- Como não andou a negociação, os trabalhadores resolveram parar a
obra. Fiz uma assembleia, mas amanhã retorna todo mundo. Vou negociar
com o Maracanã. Quem quiser trabalhar, pode, mas foram aconselhados a
voltarem para suas casas. Na segunda, faremos outra assembleia para
definir tudo e poderá ter uma greve maior - disse Nilson Duarte.
Operários instalam lona da cobertura do 'novo' Maracanã (Foto: Reprodução)
Greve à vista?
O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada Intermunicipal do
Rio de Janeiro (Sintraicp) e o Consórcio do Maracanã se reuniram na
tarde da última sexta-feira para tratar das reivindicações feitas pelos
operários, mas uma nova conversa foi remarcada para quinta-feira da
semana que vem. Segundo o presidente do Sintraicp, Nilson Duarte, houve
pouca evolução e tudo poderá ser decidido no próximo encontro. Mesmo
assim, ele não descarta uma greve nas obras do estádio e de outras
frentes na cidade do Rio de Janeiro.
- Houve pouco avanço. Como eles não encerraram a negociação, teremos
uma reunião na próxima quinta-feira para seguir tentando. O pessoal
(operários) está apreensivo e temos grandes possibilidades de greve. Não
só no Maracanã, mas na cidade toda. Enquanto estivermos negociando,
não podemos parar. Se parar, é tiro no pé.
O Sindicato pede ao consórcio responsável pelo estádio um reajuste
salarial de 15%, mais cesta básica de R$ 330, plano de saúde também para
familiares, participação nos lucros de dois salários, além de hora
extra de 100%. O consórcio, por sua vez, já ofereceu aumento de 8% além
de cesta básica de R$ 250 e bonificação de R$ 150. Nilson Duarte acha
que a proximidade da data de entrega do Maracanã pode ser favorável aos
trabalhadores.
- Isso tem um peso, tanto que já estão oferecendo uma bonificação mensal aos trabalhadores.
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